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Vaticano abre os arquivos sobre Pio XII, acusado de silêncio ante o Holocausto

O Vaticano tornou públicos, esta segunda-feira, os arquivos relativos ao Papa Pio XII, que ficou em silêncio durante o extermínio de seis milhões de judeus, durante a II Guerra Mundial. A intenção de abrir os documentos já tinha sido revelada no mês passado.



“A igreja não tem medo da História, pelo contrário”, afirmou o Papa Francisco quando anunciou a abertura dos documentos referente ao pontificado de Pio XII, que ocorreu entre 1939 e 1958. Duzentos investigadores já solicitaram o acesso à documentação referente ao “arquivo secreto” e a diversas instituições do Vaticano, que ficaram disponíveis após um inventário que durou mais de 14 anos a ser feito.

Historiadores de vários pontos do mundo como Washington, Israel, Alemanha, Itália, França, Rússia, Espanha e países da América do Sul fazem parte dos investigadores que já demonstrarem interesse em analisar os ficheiros.

Os documentos do “secretariado privado” do antigo Papá vão começar a ser explorados, esta segunda-feira, em Roma pelo historiado religioso alemão Hubert Wolf e a sua equipa. Wolf é especializado no relacionamento de Pio XII com os nazis e está ansioso por começar a trabalhar sobre o tema. Entre os registos devem constar também pedidos de ajuda enviados pelas organizações judaicas, bem como as suas comunicações com o antigo Presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosvelt. Todavia, algumas peças estão a faltar, como é o caso das respostas que o Papa deu sobre os horrores provocados pelos nazis. Os judeus já publicaram “documentos que o Papa recebeu sobre os campos de concentração, mas nunca conseguimos ver as respostas”, referiu Wolf em entrevista à AFP. Os arquivos que não se encontram lacrados dizem respeito à era da pós-II Guerra Mundial, na qual os escritos foram censurados e padres perseguidos, pelas autoridades, por suspeitas de empatia comunista. Documentos anteriores demonstram que Pio XII foi alertado sobre o extermínio dos judeus europeus quando foi tornado Papa. “Não há dúvidas de que o Papa estava ciente do assassinato dos judeus”, referiu Wolf. “O que realmente nos interessa é quando é que ele soube disso pela primeira vez e quando é que ele acreditou nessas informações”, salientou o historiador. Até então, só em 2004 é que o Vaticano permitiu o acesso a Inter Arma Caritas, o gabinete de informação sobre os prisioneiros de guerra criado por Pio XII e que, entre 1939 e 1947, recolheu fichas de mais de dois milhões de prisioneiros.


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Fonte: RTP Notícias

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