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Senadora italiana sobrevivente do Holocausto recebe proteção policial após ameaças

Liliana Segre propôs no mês passado a criação de uma comissão parlamentar para investigar ódio, racismo e antissemitismo; extrema direita votou contra


Por: Crispian Balmer


Uma senadora vitalícia italiana sobrevivente do Holocausto passou a receber proteção policial após receber ameaças de fanáticos da extrema direita, disseram fontes da segurança, destacando preocupações com crescente extremismo no país.


Liliana Segre, de 89 anos, pediu no mês passado a criação de uma comissão parlamentar para investigar ódio, racismo e antissemitismo, após ser alvo de uma sequência diária de abusos nas redes sociais. Ela dedicou grande parte do seu tempo nos anos recentes visitando escolas para contar os horrores do Holocausto e foi nomeada senadora vitalícia em 2018 pelo presidente italiano, Sergio Mattarella.


Segre foi deportada da Itália para Auschwitz, na Polônia, em 1994, quando tinha 13 anos. Ela foi uma das 776 crianças italianas com menos de 14 anos que foram enviadas ao campo de concentração nazista. Dessas, apenas 25 sobreviveram.


Estima-se que mais de um milhão de pessoas, na maioria judeus, morreram no local, segundo o Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau.


Partidos italianos da extrema direita não apoiaram a proposta da senadora, e a controvérsia resultante aumentou as agressões. Um grupo neonazista pendurou nesta semana um cartaz para denunciar ações antifascismo próximo de onde ela fazia uma aparição pública.


Segre se negou a comentar sobre a escolta policial. Uma fonte da segurança afirmou que a polícia está apenas a acompanhando a eventos públicos e que não está fornecendo proteção 24 horas.


— É preciso ser dito que Liliana recebe uma quantidade muito mais vasta de mensagens de apoio e solidariedade do que de mensagens de ódio — disse Paola Gargiulo, chefe de gabinete de Segre.


O embaixador israelense na Itália, Dror Eydar, expressou preocupação com as notícias de que Segre precisou de escolta policial.


"Uma sobrevivente de 89 anos do Holocausto sob proteção simboliza o perigo que comunidades judaicas ainda enfrentam na Europa hoje em dia", escreveu no Twitter.


Ministros do governo italiano também expressaram solidariedade.


Liliana e seu pai

"Nos perdoe, Liliana. As políticas de ódio nunca irão cessar seu comprometimento, nem o nosso", escreveu a ministra da Agricultura, Teresa Bellanova, no Twitter.


Líderes dos principais partidos da direita italiana, a Liga e Irmãos de Itália, não comentaram o ocorrido. Os partidos se opuseram à comissão parlamentar solicitada por Segre, alertando que isto poderia levar a uma censura.


O Centro de Documentação Judaica Contemporânea, organização francesa independente, afirmou que o antissemitismo parece estar em crescimento na Itália, mas ainda é menos nítido do que na França e no Reino Unido.


O pesquisador Stefano Gatti, da organização, disse que 190 casos de antissemitismo foram registrados na Itália até o início de novembro, contra 197 casos em todo o ano de 2018 e 130 em 2017. A maioria envolve ataques nas redes sociais e insultos verbais. Apenas dois atos de violência leve foram registrados neste ano.


— O antissemitismo que estamos vendo está ficando mais agressivo, mas o número de antissemitas na Itália é amplamente estável — disse Gatti, destacando pesquisas que sugerem que em torno de 11% dos italianos são hostis ou preconceituosos em relação a judeus.


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Fonte: O Globo

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