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Ostrowiec, Polonia – 1942 Deixa de Existir a Piedosa e Vibrante Comunidade Judaica

In Memoriam dos Mártires que pereceram al Kiddush haShem

(pelo Santificado Nome)

Israel Blajberg


Outubro de 1942. Logo após Simchat Torá, o primeiro dia do mês de Cheshvan 5703 marcou o final de uma historia secular.

Nesta data deixou de existir a comunidade judaica de Ostrowiec, Polônia, até então quase que uma cidade judaica, onde tudo fechava no Yom Kippur.

De Ostrowtze, como era conhecida em ídiche, muitos imigraram para o Brasil, onde hoje tanta gente boa descende daqueles que palmilhavam as ruas de terra, em torno do Rynek (mercado).

Naquele dia fatídico os nazistas esvaziaram o Gueto de Ostrowiec, fazendo os judeus atravessar a cidade em direção à periferia, onde no pátio de manobra aguardavam os trens que os conduziriam ao campo da morte de  Treblinka.  

Transeuntes mudos e impotentes observavam a marcha pela principal avenida, Aléia 3 de Maio, de onde o cortejo atravessou a ponte de pedra sobre o Rio Kamienna em direção ao pátio ferroviário.

Mesmo assim se ouviam cânticos religiosos.

Aproveitadores saquearam casas, lojas, fabricas, oficinas, tudo abandonado compulsoriamente às pressas pelos judeus, ocupadas até os nossos dias. 

Além dos onze mil enviados para a morte em Treblinka, de mil a 2 mil pessoas foram brutalmente assassinadas no local.

Alguns sobreviveram escondidos, uma parte ficou para trabalho forçado, mas Ostrowiec havia deixado de existir como um shtetl (cidade judaica), da noite para o dia. 

Assim descreve estes eventos o Sefer (Livro) Ostrowiec, editado pelas Associações de Imigrantes de Israel, Nova Iorque e Toronto:


"No domingo, antes do anoitecer a cidade foi cercada por homens da SS, Schutzpolizei, Gendarmerie, polícia e colaboradores poloneses e lituanos. Guardas judeus – Kapos – foram de porta em porta, ordenando as pessoas a deixarem suas casas, levando um máximo de 10kg de pertences, e todo seu dinheiro e objetos de valor. Todos estavam com medo. Não havia para onde ir porque estavam cercados. Ninguém sabia o que fazer, nem sequer podiam dizer adeus um ao outro.

Todos foram levados para o pátio da escola primária da Rua Sienkiewicz, uma bonita alameda que lembra um pouco as ruas arborizadas de Teresópolis.

Hoje a escola tem um moderno parque infantil em volta, onde as crianças brincam sem ao menos desconfiar do passado negro daquele lugar.

Nada identifica este local de martírio, cujo capital simbólico equivaleria a uma  Umschlagplatz de Varsóvia. 

Lá ficaram sem uma gota de água ou comida, e dois dias depois, em grupos de 100 a 120 foram transportados em vagões fechados para Treblinka.

A marcha durou todo o dia, do amanhecer ao anoitecer.

Há um túmulo coletivo no cemitério judaico.

Aqueles que estavam no Rynek (mercado), tinham diante de si dois caminhos: a morte no local ou em Treblinka.

Diz-se que no Rynek morreram oitocentos judeus, mas outras fontes históricas falam de mil ou dois mil. 

Em algum local desconhecido do cemitério judaico, se encontra uma vala comum, com os corpos destes Mártires. 

Do cemitério original restou uma pequena fração de terreno para onde foram levadas matzeivot (lapides) mas elas já não identificam o local dos enterros, pois foram removidas e dispostas aleatoriamente formando uma espécie de mostra.

Há um lapidarium, monumento construido com fragmentos das matzeivot.

O grande terreno do cemitério original deu lugar a um belo parque em área verde com arvores centenárias, onde a 25 metros de um imponente carvalho, familiares de Israel determinaram o local exato do Ohel (mausoléu) do Santo Rabino Admor de Ostrowiec, Mayer Chil Hallstock, onde um novo Ohel foi construído no mesmo local.

O pequeno cemiterio-monumento é conservado pela prefeitura, por estar situado em meio a este parque municipal.

Tudo era perto em Ostrowiec, Rynek, cemitério, sinagoga, Midrash, concentrados em uma área central da cidade que pode ser facilmente percorrida a pé.

Da bela sinagoga de madeira, queimada pelos nazistas, nada restou. 

Como descendentes daqueles judeus que lá viveram, prosperaram, lutaram e sofreram, ao longo dos mil anos da Polonia Restituta, cabe nos perpetuar o seu legado, e a cada primeiro dia do mês de Cheshvan, em 2020 correspondendo a 19 de outubro, elevar nossos pensamentos para aqueles mártires inocentes, por quem nesses tempos de pandemia rezamos um Kaddish silencioso, pelo descanso das suas almas.

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