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Lea Maria Jahn:Leia esta carta!

A "humorista" Alemã Lea Maria Jahn avançou todas as barreiras em seu "show" no Brasil. A seguir carta postada em seu messenger dia, 20/05, às 16:46

por Marcos L Susskind





Quem lhe escreve é Marcos L Susskind e recebi este nome em memória de Markus Susskind, assassinado por seus compatriotas na porta de sua casa, com um tiro na cabeça, simplesmente porque nasceu Judeu.


Eu vi um pedacinho de seu "show" que você chama de humor e eu chamo de horror. Antes de falar do show, quero que você saiba um pouco de minha família.


Meus avós paternos, os Susskind, tiveram 13 filhos. 4 deles vieram para a América do Sul entre 1920 e 1932.


Os que ficaram na minúscula Tartakow, Polônia, foram meus avós, os outro sete irmãos de meu pai, seus cônjuges e filhos. Todos, TODOS, TODOS, TODOS foram assassinados pelos seus compatriotas - uns por tiro (como meu avô), outros em câmaras de gás, um enforcado e as crianças não sabemos, mas provavelmente fuzilados dentro da cova que foram forçados a cavar com suas mãozinhas de 5, 7, 11 anos de idade. Todos foram martirizados pelo imenso crime de nascer Judeus, uma condição imutável desde a concepção - condenados quando ainda embriões no útero de suas mães.


Mas eu não deixei de conhecer apenas meus avós, tios e primos. Eu (e todos os 14,5 milhões de Judeus que vivem hoje) perdemos nossos luminares, sofremos com o criminoso incêndio de nossas sinagogas, escolas, hospitais, bibliotecas, centros de saber e de laser.

E, de novo, tudo feito por seus compatriotas.


Teríamos todo o direito de odiá-los até o fim dos dias.

Mas tudo mudou em 7/12/1970.

Neste dia cinzento o Sr. Willy Brand, Chanceler Alemão, se ajoelhou frente Monumento aos Heróis do Guetto de Varsóvia e pediu perdão.

Foi de uma sinceridade marcante. O mundo chamou este momento de Kniefall von Warschau’ e o Povo Judeu decidiu, neste mesmo momento, varrer o ódio.

Neste dia começava uma nova era na relação entre os Alemães e os Judeus.


E agora a seu show. Você usa do horror indescritível infligido a meu povo para causar riso.

Transforma nosso sofrimento, as cicatrizes marcantes de nossas almas e a dor de nossa saga em motivo de riso, de deboche, de "humor".

Lea, isto não é humor.

Isto é espezinhar nossas dores, reabrir nossas feridas e minimizar nosso sofrimento.


Eu te escrevi para exigir um exame de consciência.

Você deve desculpas aos amantes da paz, às vítimas de todo tipo de racismo e, principalmente a nós, Judeus.

Não um mero pedido de desculpas mas algum gesto de constrição tal como visitar um asilo de velhos Judeus ou algum sobrevivente do Holocausto para ouvir sua história e pedir perdão.

Exatamente como fizeram racistas na África do Sul visitando negros perseguidos ou Protestantes rua Católicos na Irlanda se desculpando uns frente aos outros.


Vou aguardar sua resposta até dia 29 próximo. Informo de antemão que caso eu e meu povo sejamos ignorados, vou traduzir esta carta ao Alemão e enviar à Embaixada Alemã no Brasil, ao Parlamento Alemão e aos jornais Die Welt, Bild, Frankfurter Allgemaine e Suddeutche Zeitung bem como às revistas Der Spiegel e Hörzu.


O parágrafo acima não é uma ameaça, apenas quero deixá-la informada de minha eventual ação.


Finalmente, se tudo isto foi realmente uma ação infeliz, a visita proposta aos anciãos e o pedido sincero de desculpas encerrará este dolorido episódio.


Post Scriptum

Embora ainda não se tenha esgotado o tempo, a Lea Maria Jahn ainda não me respondeu. 

Indignado, fui buscar informações sobre seu sobrenome e o que encontrei não é bom.

Não tenho como saber se as pessoas que têm o mesmo sobrenome Jahn são seus familiares, mas talvez seja relevante saber:

A- Erich Jahn (nascido em 23 de julho de 1907, data da morte desconhecida) era um líder da Juventude Hitlerista em Berlim.  Ele nasceu em Berlim e, quando adolescente, tornou-se membro da organização juvenil de Berlim 'Bismarck Bund'. Mais tarde, ele se envolveu na Juventude Hitlerista, desempenhando um papel significativo na organização, tanto a nível local quanto nacional. Ele se tornou membro do Partido Nazista em 1929. Tinha relacionamento próximo do Reichsjugendführer Baldur von Schirach. 

Fontes:

 1- Snyder, Louis L. (1998).  Enciclopédia do Terceiro Reich.  Wordsworth.

 2- Lepage, Jean-Denis (2009).  Juventude Hitlerista: 1922-1945: Uma História Ilustrada.  McFarland.  p.  33

B- Gunter Jahn (27 de setembro de 1910 - 12 de abril de 1992) foi comandante de submarino alemão durante a Segunda Guerra Mundial.  Ele nasceu em Hamburgo, Alemanha e iniciou sua carreira naval em abril de 1931 como um Seekadett.  Iniciou seu serviço no cruzador Nürnberg por mais de dois anos, incluindo nove patrulhas no primeiro ano da guerra.

Em março de 1941, Jahn se juntou à unidade de submarinos U-Boat e sua primeira missão foi a bordo do U-98 em setembro de 1941. Em novembro, ele comandou o U-596.  Em sua segunda missão, Jahn atravessou o estreito de Gibraltar e tornou-se um dos comandantes de submarinos U-Boat de maior sucesso no Mar Mediterrâneo.  Em julho de 1943, ele deixou os submarinos e tornou-se o comandante da 29ª Flotilha U-boat.  Em setembro de 1944, ele caiu em cativeiro francês, onde passou quase dois anos.

Prêmios  Wehrmacht Long Service Award 4a classe (2 de outubro de 1936)  Cruz de Ferro (1939)        2ª classe (18 de outubro de 1939)         1ª classe (6 de outubro de 1942)  Medaille zur Erinnerung an die Heimkerhr des Memllandes (20 de dezembro de 1939)  Distintivo de guerra de submarino (1939) (6 de outubro de 1942)  Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 30 de abril de 1943 como Kapitänleutnant e comandante do U-596


Marcos L Susskind

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