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Israelense defende exército como forma de autoafirmação feminina

Para Orna Barbivai, vice-presidente do parlamento de Israel e primeira mulher general no país, mulheres levam posições de comando nas forças armadas para a vida civil

por Yeda Timerman



Apesar de enxergar Israel como um exemplo na questão de gênero, Orna Barbivai, a número 2 do parlamento israelense e única mulher a chegar, em 2011, à patente de general no Exército de Defesa de Israel, acredita que ainda é preciso avançar para atingir a igualdade necessária entre homens e mulheres.


Em webinar promovido pelo Grupo de Liderança e Networking Feminino da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) em parceria com a Universidade de Haifa, o clube Hebraica de São Paulo e a Divisão Feminina do Fundo Comunitário na tarde desta quinta-feira, dia 18, ela usou como exemplos a divisão das 120 cadeiras do parlamento israelense (“Somos 30. Precisamos ser 60.”) e a diferença salarial ainda existente entre homens e mulheres que desempenham a mesma função.


Filha de pai romeno e mãe iraquiana, a israelense de 58 anos, nascida em Ramla e moradora de Tel Aviv, notabilizou-se ao levar adiante a ideia de ver no exército israelense não apenas uma força de defesa, mas um órgão com funções comunitária e social.

Para Orna, as poderosas forças armadas do país ajudam a igualar as condições e as oportunidades para homens e mulheres, para nascidos no país e para imigrantes.

“O exército é do povo.

Não importa de onde você vem, não importam suas condições socioeconômicas.

O exército é a oportunidade de defender sua pátria, mas também de chegar a lugares que antes não imaginava.”


Ela conta que por onde passava no exército, ouvia ser a primeira a chegar lá.

“Eu respondia que estava lá não por ser mulher, mas por ser tão boa quanto eles.

Não quero desconto. Quero ser tratada igualmente. E eles aprendiam que se a Orna podia fazer, porque não todas as mulheres.”

A general pondera que nem todos os homens ficavam felizes.

“Sentiam-se ameaçados.”

Ela lembra-se que em 1981, quando entrou nas forças armadas, aos 18 anos, as mulheres faziam em sua maioria, serviços internos, de escritório.

“Hoje o exército amadureceu.

Estamos em todas as áreas, na infantaria, na força aérea...

O exército de hoje enxerga a realidade de que as mulheres estão em lugares influentes, desempenham posições de comando e liderança e levam isso com elas para a vida civil. Os homens que lidem com isso.”


Mãe de três filhos e avó de três netas, ela mostrou-se extremamente ligada à família ao agradecer por ter todos sempre por perto a despeito das longas ausências por conta da carreira militar.

“A coisa mais importante que posso dizer para minhas netas e para as próximas gerações é que elas podem escolher o que elas querem ser, o que vão estudar, no que querem trabalhar, quem será seus companheiros, suas companheiras.”


Ainda no exército, Orna implantou projetos de integração de militares de diversos países.

“Os etíopes são 2% da nossa população. Como não somos capazes de acolhê-los?”.

A inspiração nesse caso veio de dentro de casa, ao relembrar das histórias de dificuldades contadas pela mãe, hoje com 83 anos, para se adaptar em sua chegada à Israel nos anos 1950.

“Juntei alguns oficiais etíopes e fomos para Etiópia para que eles pudessem se conectar com suas raízes. Eles são judeus e etíopes e isto não deve causar nenhum conflito.”


Em 2014, ao deixar o exército, Orna juntou-se a um grupo de empresários e colocou à disposição seu conhecimento em trabalhos sociais desenvolvidos no exército para “buscar soluções para problemas grandes”.

Uma das questões enfrentadas em sua nova função foi reduzir o número de infecções hospitalares em hospitais israelenses.

“Em um ano e meio, ao envolver todos os funcionários – da pessoa que passa a vassoura embaixo da cama do paciente ao cirurgião – reduzimos os casos em 50%.”


O próximo degrau, em 2019, foi se lançar na carreira política, apesar dos olhares tortos de parte da família.

Membro do Yesh Atid, segunda maior força política de Israel, Orna transformou-se em uma das mulheres mais influentes do país ao alcançar a vice-presidência do parlamento.


No webinar, falou sobre a quarta eleição para primeiro-ministro em dois anos pela qual passará Israel em março e mencionou o embate entre os simpatizantes de um estado laico com os defensores de uma presença forte da religião nas leis do país.

“Há quem se agarre à posição de que Israel precisa ser uma terra judaica com base nos profetas bíblicos.

E tem a esquerda que prega a separação entre estado e religião.

Eu defendo que haja justiça e igualdade para todos os cidadãos.”


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