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Israel tem direito de se defender dos ataques do Hamas


por Renata Roitman




O momento em Israel é muito delicado.

Existem extremistas e injustiças dos dois lados.

A questão da desapropriação das casas em Jerusalém Oriental foi resolvida de forma errônea? Acredito que sim.

A política dos assentamentos na Cisjordânia é um problema? Sem dúvida.

Mas há muito além daquilo que a mídia brasileira vem publicando.


Boa parte da revolta dos judeus ortodoxos vem de algo que não foi divulgado por aqui. Grupos de jovens palestinos vem atacando e agredindo judeus ortodoxos, gravando vídeos e divulgando nas redes sociais. Muito começou daí.

Mas não apoio as reações extremas de grupos de extrema-direita de Israel.

Gritar "morte aos árabes" ou a quem quer que seja é uma vergonha para um povo que sempre foi perseguido.


Por outro lado, Israel não pode ser condenado pelos ataques à Faixa de Gaza.

Israel é um país soberano, com todo o direito de defender a sua população.

"Ah mas as mortes do lado palestino são muito maiores"

Sim. Isso é verdade. Lamento muito, porque vidas são vidas.


Mas o que não é explicado é que Israel bombardeia pontos específicos.

Infelizmente boa parte destes locais fica em áreas civis e a população local sofre.

A culpa desta situação é do Hamas.

Eles usam a população local como escudo.

Utilizam todo tipo de prédio e construção para se reunir, lançar bombas e guardar armamentos. Incluindo escolas, mesquitas e hospitais.

Seguindo as normas internacionais, Israel avisa quando vai bombardear.

Já os foguetes do Hamas provocam menos baixas graças ao Domo de Ferro.

Eles são lançados sem um alvo específico, apenas em direção à grandes cidades, com o objetivo de atingir a população civil.

Há uma diferença de objetivos, percebe?

Israel deseja combater as bases de um grupo terrorista.

O Hamas deseja matar israelenses. Apenas isso.


O Hamas é reconhecidamente um grupo terrorista.

Eles não estão interessados na liberdade ou nos direitos da população palestina (que, repito, são inteiramente válidos, eles também pertencem àquela terra).

O Hamas deseja destruir Israel. Só isso.


Vale incluir aqui a questão da vacinação.

Foram feitas muitas doações em dinheiro para a compra de vacinas na Faixa de Gaza.

Já dá para perceber onde esse dinheiro foi parar...

Exigir que Israel vacine a população de Gaza é o mesmo que exigir que o Brasil vacine a população do Uruguai ou do Paraguai.

A Faixa de Gaza não é governada por Israel.

A população local não é de cidadãos israelenses.

A população árabe (cristã e muçulmana) de Israel está sendo vacinada.

Eles são cidadãos israelenses.

Conto agora um pouco da minha experiência em Israel.

Sou brasileira.

Nasci no Brasil, meus pais são brasileiros, sou neta de refugiados europeus e bisneta de vítimas/refugiados do Holocausto.

Fui viver em Israel por uma série de razões.

A vontade de conhecer a única nação judaica do mundo, conhecer meus parentes israelenses, visitar os brasileiros que vivem lá, me virar sozinha em um lugar diferente e, claro, viver em um país com boa qualidade de vida.

Mais uma série de outras razões que não cabem aqui.


Israel não é um país fácil.

Lidar com os israelenses é muito difícil, ainda mais para quem está acostumado com o jeito despojado e alegre do brasileiro.

O israelense é duro, ríspido, mal educado muitas vezes.

Porém, com o tempo você percebe que por trás desta carapaça dura há um povo acolhedor a seu modo, solidário, prestativo e prático.

Se você está em apuros, tenha certeza que alguém irá lhe ajudar.

Muitos desconhecidos me estenderam a mão quando estava perdida, desesperada, sem celular etc.

O israelense não fica sentado odiando.

Muito pelo contrário. O israelense (não incluo aqui os extremistas, que infelizmente existem em todos os povos e nações) quer tocar sua vida. Quer sobreviver.

Quer proteger seu país e o direito dele existir.


O israelense discute com vc e entre eles mesmos, para esquecer em 5 minutos e te convidar para comer shakshuka e falafel.

O israelense quer paz. O serviço militar é obrigatório.

As pessoas o desempenham com a noção de ser uma obrigação defender um país pequeno e jovem.

Repito: a única nação judaica do mundo.

Mas não o fazem por prazer. Não acham "bacana e divertido" estar preparado o tempo todo para a guerra.

Os pais sabem que é um dever que eles cumpriram e que seus filhos precisam cumprir. Eles não querem criar mártires.

Querem que seus filhos voltem para casa sãos e salvos (de preferência para uma ceia com muita comida, muita gente falando alto e oportunidades para as "idish mammes" mimarem os seus "bubales" e falarem que eles estão muito magrinhos rs).


Como judia eu falo: Israel precisa existir.

A dura realidade é que os judeus não são bem vindos em nenhum lugar do mundo.

Não são. Nem nos Estados Unidos, nem no Brasil, nem onde quer que seja. (Caso não saiba, pesquise sobre as cotas máximas de vagas para judeus nas universidades americanas. Elas existiram até o inicio dos anos 1950).

O antissemitismo não nasceu e morreu com Hitler. Ele é real. Ele sempre existiu e nunca vai deixar de existir. É uma ameaça palpável. Israel é o único "porto seguro" para os judeus do mundo. Imperfeito, com falhas e muitos inimigos.

Mas é o que nós temos. Israel é o lugar onde o judeu pode ser o que é em sua essência.


Acredito que não exista um único judeu que não tenha sentido o antissemitismo na pele. Eu senti. Inúmeras vezes.

De viver em um condomínio cheio de pessoas que nem tentavam esconder os seus preconceitos (com ofensas veladas ou diretas), de ver declarações preconceituosas de políticos até uma "brincadeirinha" que generaliza e ofende. E machuca.


Para terminar, reforço que sou contra extremismos, o ódio e a violência.

A onda de linchamentos entre israelenses judeus e israelenses árabes é absolutamente inaceitável.


E mais preocupante são as agressões que vem acontecendo contra indivíduos em outros países.

Não há justificativa racional para algo assim.

Não há.

Insatisfação é uma coisa.

Ódio é outra.

Deseja lutar por seus direitos? Faça uma manifestação pacífica. Pense em quem vai te representar na hora de votar. Escreva suas ideias.

Não ofenda. Não xingue. (Isso não é só para Israel, é para todo mundo).

Agredir um judeu na rua em Nova York, ou onde quer que seja não é manifestação contra Israel.

É agressão. É antissemitismo. Não é justificável.

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