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Infelizmente, mais uma morte a lamentar

Por Marcos L Susskind


Em Belo Horizonte onde o pessoal da Chazit de São Paulo foi se apresentar e ajudar o movimento na AIB - dezembro de 1967


Há menos de um mês eu relatei aqui a perda de meu amigo Julio Lezer, ícone do Sionismo Religioso do Brasil. Infelizmente, decorrido tão pouco tempo, me cabe fazer eulogia a outra pessoa especial, meu amigo Arieh Solnik, o Léo!


Conheci o Léo por total acaso, numa rua do Bom Retiro. Ambos havíamos voltado de Israel e nos sentíamos deslocados, sem uma língua comum com os amigos que deixamos no Brasil anos antes. Na troca dos desapontamentos com a solidão, descobrimos que ambos tínhamos paixão pela dança folclórica de Israel. O Léo propôs:

  • "Que tal a gente começar um grupo de danças? Assim devem aparecer moças e rapazes e a gente forma um novo grupo de amigos"

  • "Gostei da ideia. Mas o único lugar que me ocorre é no estacionamento onde meu pai guarda o carro, na Rua Prates. O pátio é bem grande".

Ideia aceita, pegamos um toca fitas K7 e começamos a divulgar. Apareceram algumas pessoas, começamos a dançar e pouco depois o Ichud Habonim, da Rua Tocantins (hoje Rua Talmud Thorá) nos cedeu o espaço - muito melhor que uma garagem.

Lá o grupo aumentou e tomou corpo.

A recém fundada Casa de Cultura de Israel nos propôs passarmos a ensaiar lá e a dançar em seu nome.

Mostramos alguma restrição mas eles propuseram contratar um acordeonista e nos fornecer uniformes - duas ofertas irrecusáveis.

Passamos a ensaiar e dançar lá.

O Léo Arieh Solnik despontava como um excelente coreógrafo, inovador e paciente para "segurar" o ímpeto do pessoal.


Foi nesta época que chegaram novas pessoas para dançar, uma delas me chamou a atenção - bonita, dançava bem. Acabou virando minha esposa, há 47 anos!


Em 1973 "A Hebraica" resolveu fazer um espetáculo em comemoração a Yom Yerushalaim.

Um grupo cantou, um grupo representou, houve um jogral e nós dançamos - Shir Lashalom e Hora Uriah.

Foi um sucesso.

Voltamos ao palco 3 vezes, incentivados por palmas infindáveis.

Neste dia demos finalmente um nome ao nosso grupo: "Lehakat Yerushalaim".


Diretores da Hebraica se deslumbraram e nos ofereceram vir dançar na Hebraica.

Nos davam tudo o que a Casa de Cultura oferecia, lanche para todos, um espaço realmente profissional (na Casa de Cultura ensaiávamos numa acanhadíssima sala) e a possibilidade de atrair muito mais gente - o que realmente aconteceu.


O Léo seguia coreografando, criando e fazendo o grupo crescer.

Inspirado em nosso sucesso, os movimentos juvenis voltaram a criar seus próprios grupos e outros surgiram em Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte.

No entanto, em fins de 1974 ou em 1975 (não me lembro), a Hebraica contratou um profissional de Israel, Guiora Kadmon.

Por um lado, a chegada do Guiora deu uma nova vida ao grupo - agora com profissional de Israel, assalariado em tempo integral.

Mas por outro lado, evidentemente, ocorreu algum choque entre nós, fundadores do grupo, e o Guiora, que passou a ser o "dono" do grupo.

Eu me desliguei e soube mais tarde que o Léo também saiu do grupo.

Gradativamente perdi o contato com o Léo Arieh.

O Guiora teve o imenso mérito de ampliar o escopo da dança Israelense, criando o agora famosíssimo Festival Carmel que atrai grupos do Brasil e do Exterior todo ano.


A parte triste de todo este histórico é que o nome do Léo Arieh Solnik não recebeu os merecidos créditos por sua obra de renascimento do folclore Israelense.

Depois do sucesso do Chinani dos anos 60, creio que o Léo foi a faísca que reacendeu a fogueira da dança folclórica Israeli.


Há cerca de 45 dias o Léo voltou a Israel para estar perto de seus três filhos que aqui viviam.

Léo estava com um câncer agressivo e incurável - mas não comentou com ninguém, já que não havia sintomas que pudessem demonstrar a situação.

Os médicos lhe davam mais um ano de vida e ele queria estar próximo dos seus filhos e netos.

Passou os 14 dias regulamentares de quarentena, achou um apartamento e poucos dias depois, de forma fulminante e sem sofrimento, se foi.

Não chegou a completar 30 dias fora do confinamento.


Léo se foi deixando amigos que se lembram de sua generosidade, paciência e, para quem dançou na "Lehakat Yerushulaim", o orgulho de fazer parte do renascimento e engrandecimento desta parte do nosso folclore.


Que D'us o receba em seus braços, que descanse em paz. Baruch Dayan Haemet


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