Buscar
  • Kadimah

Claudio Lottenberg assume a Conib



Amigos da comunidade judaica e da sociedade brasileira,


Assumo no dia de hoje, com minha diretoria, a voz da comunidade judaica no Brasil.


Passo a coordenar a atividade política para fortalecer as relações entre a nossa comunidade e a sociedade em que ela se insere.

Vou buscar reafirmar relações que existem desde que os portugueses aqui aportaram pela primeira.

A esquadra de Pedro Álvares Cabral contava, por exemplo, com Gaspar da Gama, que ajudou como intérprete com os índios. E ele foi apenas um entre os muitos judeus que testemunharam o nascimento do Brasil.

Desde então, o Brasil tem a tradição de receber os judeus de braços abertos – uma tradição, aliás, que se estende a todas as pessoas.

Nosso país só nos orgulha por manter uma convivência harmônica com todos os que aqui escolheram viver.

Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos sobreviventes dos campos de concentração vieram para o Brasil e aqui reconstruíram suas vidas.

Eu poderia citar inúmeros exemplos desse permanente processo.

É por isso que sei que a intolerância religiosa e o negacionismo do Holocausto são manifestações tão infelizes quanto isoladas. Elas não condizem com o espírito brasileiro.

A comunidade judaica será eternamente grata ao grande diplomata brasileiro Oswaldo Aranha. Presidindo a Assembleia Geral da ONU de 1947, foi uma das vozes mais importantes para a criação do Estado de Israel. Portanto, falar de Brasil e Israel é falar de duas nações amigas, é falar de laços que se fortalecem cada vez mais.


A Conib tem mais de 70 anos de história.


Conheço sua estrutura desde minha infância.

Conheci bem Beno Milnitzky, presidente da nossa comunidade durante a ditadura militar – uma pessoa com visão extremamente sofisticada.

Acompanhei de perto o professor José Meiches, homem sensato e de integridade humana única.

Convivi e fui apoiado no início de minha vida comunitária por Berel Aizenstein, um autêntico e dedicado voluntário.

Trabalhei com Jack Terpins, hoje presidente do Congresso Judaico Latinoamericano. Foi ele quem me convidou para atuar na Confederação. Terpins soube integrar pontos divergentes de nossa comunidade com humanismo e sabedoria.

Fernando Lottenberg trabalhou comigo, sempre demonstrando capacidade intelectual.

Eu mesmo já estive à frente da Conib. Sempre busquei estreitar as relações da comunidade judaica com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Vamos continuar fazendo o nosso melhor.

Firmar relações sempre será uma meta de nossa entidade.

A organização se profissionalizou, novas lideranças foram formadas e os vínculos com a sociedade brasileira foram fortalecidos.

Nos próximos três anos seguirei promovendo a defesa de um ambiente democrático, pois só com democracia avançamos.

Serei hoje e sempre contra a marcha do ódio, que se espalha pelas redes sociais e que, por vezes, gera episódios de violência.

Repudiaremos o antissemitismo, o antissionismo e toda e qualquer manifestação de brutalidade – não só contra judeus, mas contra todas as minorias.

Temos que impedir que ações para deslegitimar o Estado de Israel e banalizar o Holocausto tenham livre curso.

A Conib fará isso, amparada em dois pilares centrais de nosso sistema de valores: a tolerância e a democracia.

Os anos à frente serão marcados pelos desdobramentos da pandemia em curso. Ela será um duro desafio à construção de um diálogo sempre mais aberto, à promoção do judaísmo no Brasil e ao reforço dos laços com as comunidades judaicas em todo o mundo.

Enfrentarei esse e os outros desafios com ânimo para o trabalho. Há pela frente um longo trabalho de reconstrução – da economia, de relações interpessoais e internacionais. Isso não afetará meu empenho para abrir cada vez mais portas e formar cada vez mais alianças.

Brasil e Israel são referências do bom convívio e da tolerância. Quero que, nesta gestão, os exemplos oferecidos pelos dois países possam ganhar força e se tornem ainda mais nítidos.

Que inspirem nossas vidas, de modo a criar um ambiente de paz.

Tradicionalmente, a paz é definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação. Já no plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, de desconfiança e - de um modo geral - de todos os sentimentos negativos. Porém, quando inserimos a paz num mundo de alta conectividade como o nosso, quando as interpretações são fruto de lentes individuais, quando os interesses coletivos são lateralizados em favor do individualismo, percebe-se que a paz não é tão fácil de se atingir.

Entretanto, meus amigos, por mais difícil que seja alcançá-la, eu acredito na paz. Acredito na paz como produto do diálogo e da transparência, da verdade e do compromisso e sobretudo como fruto de valores sólidos e princípios inegociáveis.

Em nome da minha diretoria, agradeço a todos a confiança.


Shalom!

820 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo
banner-2021.png

Seja um Patrono Kadimah

Apoie a Revista Kadimah e fortaleça mais ainda a publicação