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Carta Aberta a Chico Buarque de Holanda

Sr. Francisco Buarque de Holanda:

Saudações.





Por que lhe escrevo?


Eu lhe escrevo porque acredito que você é erudito o suficiente para ler, entender o conteúdo e ser capaz de analisar o que escrevo. Também acredito que não se intimide com texto mais extenso e analítico, ao contrário dos que leem apenas textos de até quatro linhas.

Sei que você é OMC, o que o coloca numa posição alcançada por poucos.

Apesar disto não tenho ilusão de mudar sua forma de pensar já que ideologia e racionalidade nem sempre caminham juntas e muitas vezes (na maior parte delas) a ideologia é suficientemente forte para cegar a verdade e impedir análise factual.

Ainda assim espero que leia a íntegra desta carta e aguardo seus comentários.


Você é um dos signatários da carta cujo introito fala em “proibição da anexação de territórios pela força”, esquecendo-se que a Jordânia entrou na Guerra dos Seis Dias após ser convencida por Gamal Nasser da iminente vitória dos exércitos Árabes.

A Jordânia havia recebido repetidas garantias que não seria atacada caso não atacasse antes e optou por ignorar as mensagens transmitidas por três embaixadores diferentes em Maio de 1967 e pessoalmente por Yaakov Herzog, Secretário Geral do 1o. Ministro de Israel em viagem secreta a Amã.

Como consequência do telefonema de Nasser GRAVADO E DISPONÍVEL no qual afirmava que o exército Israelense estava sendo dizimado, o Rei Hussein “fechou os olhos” aos tiros de metralhadora contra Israel no front de Jerusalém (causaram 15 mortes e 504 feridos, todos civis) e ordenou às 11:40 do dia 5/6/1967 que as bases aéreas de Israel fossem atacadas.

Concomitantemente sua aviação bombardeou a cidade de Natânia. Durante longos 30 minutos Israel ainda tentou convencer a Jordânia que não haveria reação caso a Jordânia deixasse de atacar - o que não aconteceu.

Às 12:10 foi dada a ordem de reação aos soldados Israelenses. Como consequência, após três dias de lutas intensas, o exército Jordaniano reforçado por brigadas Iraquianas e Egípcias retiraram-se para o lado oriental do Rio Jordão.

A margem ocidental do Rio Jordão voltava a mãos Judaicas e Israelenses.

A área foi conquista dos Jordanianos e não de nenhuma entidade Palestina, que jamais existiu.


A presença na Cisjordânia é ilegal?


Juristas de inegável saber como Eugene Rostow (Dean da famosíssima Escola de Direito de Yale) e Eli Lauterpacht (Cambridge University) discordam do termo “ocupação da Margem Ocidental”.

Lembro-o que a região foi conquistada pela Transjordânia em 1948, incorporada a seu território contra todas as resoluções da época - apenas Inglaterra e Paquistão reconheciam a soberania Transjordaniana.

Em 1950 a Tranjordânia mudou o nome do país para Jordânia para justificar sua ocupação.

Também mudou o nome da área, antes conhecida como Samária e Judéia para “Margem Ocidental”.

Israel as conquistou da Jordânia em guerra de defesa.

O Direito Internacional reconhece como legítimas as anexações em guerras de defesa. Nenhuma entidade com o nome Palestina existia na época.


O plano de estender a soberania Israelense sobre algumas áreas da Judéia e Samária tem como contrapartida a oferta de territórios com a mesma extensão territorial, a mesma geografia e o mesmo clima para soberania Palestina, recusada pela última.

Na verdade, até hoje 100% dos planos de paz foram recusados pela Autoridade Palestina e menciono apenas alguns: Missão Jarring e U Thant de 1967 a 1973, Plano Alon (de 1967), Plano Rogers (69), Acordo de Camp David (78), Plano Reagan (82) e até mesmo a Iniciativa Pan Árabe que foi abandonada após o Massacre da Páscoa, quando Palestinos atacaram a Cerimônia Pascal num hotel matando 30 e ferindo 140 que participavam do ato religioso.

O massacre tinha exatamente o objetivo de frustrar as negociações um dia antes de ser apreciada pelas partes.


Outras Considerações à Sua Carta


Em sua carta você chama ao fim da cooperação e do livre comércio com Israel.

Devo entender com isto que você e os demais signatários deixarão de usar produtos patenteados em Israel?

Vou ajudar na decisão. Parem de usar conectores USB, inventados em Israel. Nunca tirem foto com celular- a câmara é invenção Israelense.

Nada de usar computadores portáteis pois só os Desktop não foram inventados em Israel. Waze tem de ser abandonado e introdução de stent no coração deve ser evitado. Não voar em qualquer aeronave comercial pois todo avião no mundo usa sistemas de avionics de Israel.

Não comer tomate cereja e jogar fora todos os Pen Drives.

Não chamar taxi ou Uber pelo celular já que o sistema que administra estas chamadas é de Roy Mor, Israelense.

Você que é músico, resista a gravar pelo sistema Wave Audio, que você usava até agora - também é Israelense.

E nunca, jamais, fazer colonoscopia com a PillCam - siga usando o sistema de tubo anal que não é Israelense.


Jamais, em tempo algum, utilize qualquer sistema de voz por Internet - Messenger, ICQ, Skype, Telegram, Whatsapp e todos os outros usam VoIP - de Israel.


Faça chamadas pelas telefônicas e pague os olhos da cara para evitar o uso gratuito que Israel lhe disponibiliza.

Não coloque nenhum firewall em seus computadores e feche 100% das contas bancárias - os sistemas de segurança bancária são da Checkpoint de Israel.


Mas por favor, seja íntegro e mencione isto em suas manifestações. Diga que está voltando a viver na idade da pedra por ser coerente com o que você assina!


O apartheid Israelense


Esta é a penúltima parte de minha longa carta.

Você afirma que há apartheid em Israel.

O governo Árabe da Palestina proíbe sob pena de prisão a venda de terras a Judeus. Por favor me mostre lei similar em Israel.

Não há na Autoridade Palestina um único Judeu no Parlamento Palestino (apesar dos Judeus serem 17,3% dos habitantes do território).

Já o Parlamento Israelense conta com 17 Árabes eleitos por 4 partidos Árabes anti-sionistas e por outros 3 partidos mixtos.

Não há um só Juiz Judeu na Palestina, havendo inúmeros Juízes Árabes em israel, um deles membro da Suprema Corte de Judeus e Árabes.


Há cerca de 850 médicos Judeus nos Territórios Palestinos, nenhum sequer empregado pela Autoridade Palestina.

Já em Israel não existe NENHUM HOSPITAL SEM MÉDICOS ÁRABES, sendo alguns deles presididos por Árabes.

E nas Universidades da Palestina nenhum Judeu, mas inúmeros Árabes em todas as Universidades Israelenses, em seus institutos de pesquisa, em seus centros de alta tecnologia etc.

Agora, por favor, seja honesto: onde é mesmo que há apartheid?


Porque não escrevi a outros que endossaram o documento?


Finalizando creio te dever esta resposta.

Não vejo qualquer sentido em escrever a Árabes que se ligam emocionalmente na causa, sem se dedicar a analisar com profundidade,

Entre outros, assinaram os Árabes Haddad (ex candidato a Presidente), o MSTista Guilherme Boulos, Milton Hatoum, Carlos Lattouf, Ahmed Alzoubi, Ahmed Madi, Mohamad Kadri, Yasser Fayad, Ahmed Shehada, Damien Hazard outra infinidade de nomes na lista. Lattouf, diga-se de passagem, é considerado o mais virulento

antissemita vivo.


Tampouco escrevi para lideranças do PT e PCB, gente ideologicamente cega e que assinam qualquer coisa que seja contra Israel e outras democracias.

Nomes como Aloizio Mercadante, Celso Amorim, Paulo Sérgio Pinheiro, Eduardo Serra, Edmilson Costa, João Stédile, José de Almeida, Sérgio Nobre e outros.


Finalmente não escrevi ao cachaceiro barbudo que declarou que “não tem saco para ler” e tampouco à mulher que usa seu cérebro oco para “estocar vento” posto que a inteligência dela não lhe permitiria entender uma carta com a profundidade que eu coloquei neste texto.


Fico no aguardo de sua resposta. Espero não ser ignorado, como é comum naqueles que se recusam a pensar para não ter de rever seus conceitos.

Afinal seu sobrenome vem de família culta, pensante e resoluta. Espero que você honre seu sobrenome


Marcos L Susskind

Julho/2020


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