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A sensação de fracasso das aulas online

*Por Stella Azulay





Canso de ler em grupos de mães nas redes sociais, em perfis individuais de mulheres e em grupos de professores sobre o estresse, a frustração e o cansaço emocional que as aulas online têm provocando nos envolvidos.


As mães desabafam - principalmente as que precisam e continuam trabalhando mesmo em home office - que se sentem falhas na tarefa de ajudar os filhos com as aulas porque não dão conta.

É uma sobrecarga de responsabilidades dentro de uma rotina que traz junto um contexto psicológico pesado.

Essas mães, teoricamente, devem ou deveriam cobrar dos filhos participação, resultados, apoiá-los nas provas, consolá-los, enviar resposta para a escola.

E, no entanto, muitas se sentem incapazes (não importa o motivo), sufocadas, sem força para cobrar deles, que estão confinados.

Do outro lado estão os professores, que também se sentem cobrados pelas escolas e pelos pais.

Muitos falam sobre o desânimo de ensinar a distância.

Sentem que os alunos não estão envolvidos nas aulas conforme deveriam, que não conseguem desenvolver aulas online interessantes, que já não sabem mais “o que inventar”.

E, a autoestima, vai ladeira abaixo.


Os alunos estão agitados. Esforçam-se para não decepcionar os pais; para tentar aprender o que estão ensinando de novo; para fazerem todos os trabalhos e tarefas; conseguirem notas nas provas.

E, também, sentem-se muitas vezes frustrados, desanimados e nem conseguem expressar isso para ninguém, o que é pior!

Devem satisfação para os pais, para a escola.


A instituição de ensino, por sua vez, se sente na obrigação de manter o ritmo, de manter a grade curricular, de cumprir com o calendário do MEC, de proteger sua continuidade mantendo a estrutura para receber seus alunos de volta, pagando os professores e colaboradores.


Todos estão machucados. Todos estão se sentindo um tanto sozinhos nessa jornada. Todos estão com medo, do novo, da volta, do futuro.

Todos estão questionando o que é justo, o que é correto, o que é errado, o que é melhor e o que é pior.

O fato é que não existem todas as respostas. Simplesmente não existem.


Mas eu enxergo uma solução que pode amenizar os conflitos internos e externos.


E o nome dessa solução é comunicação.


Comunicação não se resume em envio de e-mails, em trocas de mensagens por whatsapp, em contato durante a aula online.

A comunicação hoje precisa ir além. Muito além.


Estamos todos carentes, vulneráveis, precisando mais do que nunca um dos outros.

E a única forma de estarmos juntos é por meio de eventos online, conversando sobre nossas realidades, sobre esses medos, sobre nossas dúvidas, buscando apoio nas palavras que nos confortam, que nos fazem sair do mundo da imaginação e passar para o mundo do contato pessoal.


Essas mães não são falhas; são verdadeiras heroínas.

Nossos filhos são guerreiros.

Os professores são super-heróis.

As escolas é o quartel general que jamais pode ruir, porque o QG é o lugar que reúne todas essas forças.

Não vamos nos entregar ao inimigo. E nosso maior inimigo hoje é a nossa mente, nossos pensamentos.


Falem. Conversem sobre o que pensam e sentem. É um alívio. Façam seus filhos falarem.

Escolas, promovam a escuta.

Promovam os encontros. Promovam a empatia.

Esse é o tema central. A empatia é o que vai nos salvar!

Stella Azulay é jornalista e coach comportamental com especialização em análise de perfil e neurociência comportamental

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