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Ódio, Raiva, Vingança e Guerras - Haverá Paz?

Reflexões sobre a paz: Possível? Impossível? Desejada? Repudiada? 

Por Marcos L Susskind


"Não procuremos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo do copo de amargura e ódio."

- Martin Luther King Júnior.





Beirute sofreu uma catástrofe indescritível.

No momento em que escrevo já há mais de 150 mortos, dezenas de desaparecidos, 5000 feridos e pelo menos 300.000 pessoas desabrigadas.

Os hospitais já não comportam feridos, os prejuízos devem ultrapassar 10 bilhões de dólares.

A tragédia se soma ao caos econômico que já reinava no país bem como às tensões sectárias entre Sunitas, Xiitas e Cristãos.


Imediatamente após tomar ciência da tragédia, Israel foi o primeiro país a oferecer equipe médica, aparelhos, instrumentos cirúrgicos, sangue e medicamentos.

Como há um declarado "estado de guera" em vigor desde 1948, a oferta foi feita através de órgãos internacionais - inclusive detalhando que o material poderia ser entregue indiretamente, via Cruz Vermelha ou ONU. 

Israel também disponibilizou três de seus hospitais para tratar feridos - Haifa, Naharia e Tzfat.

Não esqueçamos que os hospitais estão a ±100 km de distância de Beirute, pouco mais de 1 hora de carro ou minutos de helicóptero - portanto capaz de ajuda imediata. Passadas 48 horas, autoridades Libanesas ignoraram a oferta e nem sequer a declinaram, simplesmente a ignoraram, 


Na tarde de ontem o Prefeito de Tel Aviv Ron Huldai informou que iluminaria a Prefeitura com a bandeira do Líbano.

Houve algumas vozes de protesto mas a maioria da população de Israel aprovou a medida - afinal sentimento humanitário está acima de conflitos.

E assim, pela primeira vez, uma imensa bandeira de um país tido como inimigo iluminou a noite de Israel.

E é neste ponto que começa minha frustração.


As Reações no Líbano e no Mundo Árabe

Imediatamente após as primeiras fotos da Prefeitura iluminada com a bandeira Libanesa, aparece nas redes sociais o hashtag #NósNãoQueremos na qual dezenas de milhares de Libaneses e outros Árabes recusam a oferta de medicamentos, sangue e equipamentos provenientes de Israel e desdenham a imensa bandeira Libanesa iluminada na Prefeitura de Tel Aviv.


Não foi erro de grafia, foram realmente dezenas de milhares de reações de ódio - destaco algumas:

"Como cidadão libanês, me desonra que Tel Aviv mostre solidariedade ao Líbano.

Aviso a quem circular essas fotos: te considerarei um colaborador "

"Nossa resposta a esta vergonha tem de ser a violência"

"Preferimos morrer a receber algo de Israel"

"Nós vamos iluminar Tel Aviv - com nossos foguetes"

"Não queremos nada de vocês, porcos bastardos - vocês são nossos inimigos"


Como Enfrentar Este Ódio?

Frente a estas demonstrações de ódio, busquei manifestações diferentes.

Encontrei poucas. Isto me mostrou um imenso desbalanceamento entre o sentimento da rua Israelense frente à rua Árabe.

Enquanto em Israel os descontentes com a solidariedade foram pouquíssimos, o mundo Árabe mostrou exatamente o contrário.

As vozes de conciliação no Líbano foram abafadas, ameaçadas, consideradas traidoras. Martin Luther King Jr, mencionado lá em cima, disse que a única ferramenta que pode demolir o ódio é o amor. Infelizmente no Oriente Médio parece que o amor, a solidariedade e a empatia demonstrado por uns é recebida com ódio, repulsa e fúria pelo outro lado.


John Kennedy disse: "A Humanidade tem de colocar um fim às guerras, ou as guerras colocarão um fim à Humanidade".

Eu, da minha humilde pena, espero que o Oriente Médio aprenda esta lição.

E termino com as palavras de outro John, o Lennon:

"You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one. I hope someday you'll join us. And the world will live as one" .

Traduzindo: "Você pode dizer que eu sou um sonhador mas eu não sou o único. Eu espero que um dia você se junte a nós. E o mundo viverá como um."


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